TO ALL MY VISITORS

Dear visitors !

I've noticed that my blog was visited by hundreds of people from dozens of different countries.

Well, this blog is written in Portuguese, and I suppose that almost all visitors do not understand this language, except if they are brazilian or portuguese living in the countries listed in my Visitor Counter, but I don't think this is probable...

Well, anyway, thank you very much for visiting my blogs (I have two others: http://turmamiguens.blogspot.com & http://poenautas.blogspot.com ), and please, if you would like to know anything about them, please contact me at gil.ferreira@globo.com, in English, Spanish or French. I'll be pleased to answer.

Yours,

Gil Ferreira

A "PRAGA AMARELA"


"E Deus contemplou toda a sua obra, e viu que tudo era muito bom. Sobreveio a tarde e depois a manhã: foi o sexto dia. Mas sentiu que faltava algo, e, do alto de Sua onisciência, criou os Fuzileiros Navais"! ("d'aprés" Genesis, 1-31)
É, talvez não tenha sido exatamente assim. Mas de qualquer forma, as origens dos Fuzileiros Navais se perdem na noite dos tempos, junto às dos Marinheiros - ou "Quincas" - talvez desde que o homo sapiens, pela primeira vez, lançou um tronco escavado à água, fê-lo flutuar e partiu em busca da caça que alimentasse seu corpo, ou da aventura que enriquecesse seu espírito; ou do inimigo, racional ou não, que ameaçasse seu bem-estar. Como fazem até hoje todas as Marinhas do mundo.
E lá se foram os Marinheiros conduzindo os navios, e os Fuzileiros combatendo, nas torretas dos canhões, nas abordagens, nas lutas corpo-a-corpo nos conveses, nos desembarques anfíbios...e por aí vai.
Aqui no Brasil, desde 1808, pela mão de D. João VI, que os quis como escolta, em sua vinda para estas plagas - antes mesmo que D. Pedro I e José Bonifácio oficializassem a existência da Marinha do Brasil, em 1822 - e ocupando, de 1809 até hoje, a mesma Fortaleza de São José, na Ilha das Cobras, Rio de Janeiro.
Amados pela população, que ainda sente arrepios ao vê-los, de dólmã garance, calça azul-ferrete com debrum vermelho e o tradicional gorro de fita branco, desfilando garbosos, ao som de sua Banda Marcial. Ou de camuflado, fazendo-se presentes por terra, pelo ar ou pelo mar - "Per mare, per terram, per astra, ADSUMUS !"
Eternizados por Luiz Peixoto, em seu poema "Bandeira":
"(...) Sê maió qui o céu, qui a terra, qui fogi qui nem si vê...
Maió que os sete pecado...Maió que os ôio ispantado di déiz saci pererê...
Maió qui Pedro Premêro, qui foi grandi cumo u quê...
Maió qui u Brasi intêro...Maió qui sê brasilêro...
Quiria sê Fuzilêro...Sê Fuzilêro Navá...
P'rá ti batê cuntinença, cum toda malemolença..."
Ou nos versos de Lamartine Babo, em "O teu cabelo não nega":
"(...) Quando meu bem, vieste à terra,
Portugal declarou guerra...
A concorrência então foi colossal...
Vasco da Gama contra o Batalhão Naval..."
Pois é. Mas nem tudo são glórias, heroísmos, atos de bravura, ordens-do-dia do tipo "meu Brasil do céu de anil do peito varonil" etc etc etc.
Há também "causos" folclóricos, bem humorados - "Navalhadas", como querem alguns - em parte provocados pelos Quincas, que têm lá suas diferenças com os Navais, e certamente aumentam um ponto cada vez que contam um conto; e em parte originados dos próprios "papos de fogueira" dos Navais, que, em suas histórias, certamente sempre levam a melhor sobre os Quincas...
São algumas dessas "Coisas de Naval" que narramos neste Blog. Para lê-las, busque o índice ("Blog Archive") à direita, clique em "2004" e, no menu que se abrir, escolha "Navalhadas". São histórias bem-humoradas, que deixam sempre patente a autenticidade do lema da tropa anfíbia:

"Confie neles !"

Monday, March 08, 2010

Sonetos de Elizabeth Barret Browning traduzidos por Manuel Bandeira

Conheci esses sonetos na afamada coleção "Tesouro da Juventude", cujos 18 volumes li e reli incontáveis vezes, da infância à adolescência...


SONETOS DE ELIZABETH BARRET BROWNING TRADUZIDOS POR MANUEL BANDEIRA
Vejam a história dela ao final

1. SONNETS FROM THE PORTUGUESE VI
Go from me. Yet I feel that I shall stand
Henceforward in thy shadow.
Nevermore Alone upon the threshold of my door
Of individual life, I shall command

The uses of my soul, nor lift my hand
Serenely in the sunshine as before,
Without the sense of that which I forbore—
Thy touch upon the palm.

The widest land Doom takes to part us,
leaves thy heart in mine
With pulses that beat double. What I do
And what I dream include thee, as the wine
Must taste of its own grapes.

And when I sue God for myself,
He hears that name of thine,
And sees within my eyes the tears of two.

1. PARTE, NÃO TE SEPARAS
Parte: não te separas. Que jamais
Sairei de tua sombra. Por distante
Que te vás, em meu peito, a cada instante,
Juntos dois corações batem iguais.

Não ficarei mais só. Nem nunca mais
Dona de mim, a mão, quando a levante,
Deixará de sentir o toque amante
Da tua, - ao que fugi. Parte: Não sais!

Como o vinho, que às uvas donde flui
Deve saber, é quanto faço e quanto
Sonho, que assim também todo te inclui.

A ti, amor! minha outra vida, pois
Quando oro a Deus, teu nome êle ouve
e o pranto
Em meus olhos são lágrimas de dois.

2.SONNETS FROM THE PORTUGUESE XXVIII
My letters ! all dead paper, mute and white !
And yet they seem alive and quivering
Against my tremulous hands which loose the string
And let them drop down on my knee to-night.

This said,--he wished to have me in his sight
Once, as a friend: this fixed a day in spring
To come and touch my hand . . . a simple thing,
Yet I wept for it !--this, . . . the paper's light . . .

Said, Dear, I love thee; and I sank and quailed
As if God's future thundered on my past.
This said, I am thine--and so its ink has paled

With Iying at my heart that beat too fast. And this . .
O Love, thy words have ill availed If, what this said,
I dared repeat at last !

2. AS MINHAS CARTAS
As minhas cartas! Todas elas frio,
Mudo e morto papel! No entanto agora
Lendo-as, entre as mãos tremulas o fio
Da vida eis que retomo hora por hora.

Nesta queria ver-me -- era no estio --
Como amiga a seu lado... Nesta implora
Vir e as mãos me tomar... Tão simples! Li-o
E chorei. Nesta diz quanto me adora.

Nesta confiou: sou teu, e empalidece
A tinta no papel, tanto o apertara
Ao meu peito, que todo inda estremece!

Mas uma...Ó meu amor, o que me disse
Não digo. Que bem mal me aproveitara,
Se o que então me disseste eu repetisse...



3. HOW DO I LOVE THEE - SONNETS FROM THE PORTUGUESE
- How do I love thee? Let me count the ways.
I love thee to the depth and breadth and height
My soul can reach, when feeling out of sight
For the ends of Being and ideal Grace.

I love thee to the level of every day's
Most quiet need, by sun and candlelight.
I love thee freely, as men strive for Right;
I love thee purely, as they turn from Praise.

I love with a passion put to use
In my old griefs, and with my childhood's faith.
I love thee with a love I seemed to lose

With my lost saints, -- I love thee with the breath,
Smiles, tears, of all my life! -- and, if God choose,
I shall but love thee better after death



3. AMO-TE

Amo-te quanto em largo, alto e profundo
Minh’alma alcança quando, transportada,
Sente, alongando os olhos deste mundo,
Os fins do Ser, a Graça entressonhada.

Amo-te em cada dia, hora e segundo:
À luz do Sol, na noite sossegada.
E é tão pura a paixão de que me inundo
Quanto o pudor dos que não pedem nada.

Amo-te com o doer das velhas penas;
Com sorrisos, com lágrimas de prece,
E a fé da minha infância, ingênua e forte.

Amo-te até nas coisas mais pequenas.
Por toda a vida.
E, assim Deus o quisesse,
Ainda mais te amarei depois da morte.
Não encontrei ainda o original em Inglês.

Ama-me por amor do amor somente.
Não digas: “Amo-a pelo seu olhar,
o seu sorriso, o modo de falar
honesto e brando. Amo-a porque se sente

Minh’alma em comunhão constantemente
com a sua”. Por que pode mudar
isso tudo, em si mesmo, ao perpassar
do tempo, ou para ti unicamente.

Nem me ames pelo pranto que a bondade
de tuas mãos enxuga, pois se em mim
secar, por teu conforto, esta vontade

De chorar, teu amor pode ter fim!
Ama-me por amor do amor, e assim
me hás de querer por toda a eternidade.

http://oindividuo.com/2008/10/26/sonetos-da-portuguesa-14/
Uma ressalva inicial: é preciso ter algum conhecimento da história de Robert Browning e Elizabeth Barrett para entender por que os Sonnets from the Portuguese que ela escreveu são os “Sonetos da Portuguesa”: como Barrett tivesse um pé na Jamaica, parecia um pouco mestiça, e Browning a chamava de “minha portuguesinha” (my little Portuguese), mostrando que a nossa miscigenação brasileira tem raízes mui antigas.
A própria história do casal é muito interessante. Ele, poeta publicado, ela também. Ele lê os poemas dela e tenta entrar em contato. Apaixonam-se por correspondência, apesar de viverem na mesma cidade – Londres – e terem amigos em comum. Ela, doente, quase inválida, mal se levanta da cama, por isso tem vergonha de recebê-lo. Mas a insistência do rapaz – 10 anos mais novo que ela – produz o encontro e as visitas passam a ser quase diárias, o que não interrompe a correspondência. Um pai ciumento proíbe a relação, apesar de a filha já ter seus quase 40 anos. E como o pai a proíbe de fazer uma viagem para um clima mais ameno, a fim de curar-se, Robert Browning e Elizabeth Barrett casam-se em segredo e no dia seguinte partem para Paris, onde ficarão pouco tempo antes de estabelecer-se em Florença, morando num apartamento que ficou conhecido como Casa Guidi. Tiveram um filho e viveram 10 anos juntos, até que a morte dela os separou. A história foi transformada numa peça de Rudolph Besier, The Barretts of Wimpole Street, que por sua vez virou filme homônimo duas vezes, feito pelo mesmo diretor, com o mesmo roteiro, só atores diferentes. Não gosto do filme sobretudo por ter uma canalhice, que é a suspeita de incesto lançada sobre o pai de Elizabeth Barrett.
A parte que me interessa é a de “até que a morte os separe”. Uma parte da poesia medieval nos legou a idéia de amor eterno e de endeusamento das mulheres. Claro que todas essas mulheres endeusadas eram jovens e bonitas; aliás, o mais comum era serem louras e terem olhos verdes. Idealmente, seguindo Simonetta Vespucci, morreriam bem jovens. Qualquer um sabe: é mais fácil jurar amor eterno a uma jovem deusa do que a uma velha mulher. Aliás, “deusa” é a palavra-chave. Abominável idolatria? Isso mesmo.
Quem pensasse um pouco sobre essas convenções – que vieram a moldar todo o imaginário amoroso ocidental – veria que o que estava em jogo era um amor pelo próprio amor. Como eu disse antes, uma das marcas distintivas de estar apaixonado é a sensação de onipotência e de eternidade. Viver sem “amor” é viver na miséria. O moralismo estrito desse culto de fidelidade imposto pelo amor – ou pelo Amor, Eros em pessoa, como em Vita Nuova – acabou se entranhando na própria idéia de amor cristão. É muito interessante que, embora a própria Igreja Católica nunca se tenha deixado contaminar por essa idéia, entre os poetas a promiscuidade entre a idolatria do amor e o imaginário cristão foi muito forte. Para fazer um comercial, discuto isso em um de meus textos para a próxima Dicta&Contradicta, a partir de um poema de António Ferreira.
O valor desse poema de Elizabeth Barrett Browning é abrir o jogo totalmente. “Não quero ser amada por quem sou, quero ser amada por causa do amor.” É impossível não ler o poema como uma bela máscara da insegurança, uma mudança de assunto. “Não sou tão bonita (ela não era mesmo), sou 10 anos mais velha, você é mais talentoso, mas ainda assim quero ser amada. Aliás, para sempre. Por toda a eternidade. Como uma deusa.” Eu poderia dizer que qualquer mulher deseja isso, mas acho que todo homem também. É mais fácil querer ser amado como um deus do que aceitar que devemos amar a Deus e que Deus vai nos amar para sempre, mas não como deuses. Por isso a mistura imaginária entre cristianismo e “amorismo” é tão interessante: tanto poetas quanto musas querem rivalizar com Deus, o único objeto desse amor dado e recebido de maneira absoluta e eterna. Mas foi a própria serpente quem disse: “Sereis como deuses.” Abominável idolatria.
O leitor pode defender Elizabeth Barrett Browning e dizer que seu pedido por ser amada pelo amor é na verdade cristão, e não um desejo de ser endeusada. Mas o amor cristão é sob um certo aspecto indiferenciado; amando pelo amor (de Deus), ama-se tanto essa pessoa como aquela. O único amor eterno é o que Deus terá por você, e o que você pode ter por Deus.
Acredito que alguns autores contemporâneos lidam com o amor de maneira muito mais realista e sã do que esses autores antigos. Existem poemas e romances que podem beirar ou chegar ao pornográfico, dependendo do seu nível de pruridos. Eles têm razão, porque, ao contrário do que pede Elizabeth Barrett, é muito mais humano apaixonar-se por um olhar, um sorriso, um modo de falar (gosto particularmente de “modos de falar”) e pela sintonia ou rapport, que se pode chamar pomposamente de “comunhão de almas”. Amar o amor somente, e amar eternamente alguém por isso, é angélico. Há mais perversão em Tristão e Isolda do que em todos os carnavais. Vejam como exemplos O cancioneiro de Sebastian Arrurruz (que já traduzi), de Geoffrey Hill, e O animal agonizante, de Philip Roth.
Será então que escolhi um poema apenas para atacá-lo? Apesar de repelir todas as atitudes presentes nele, reconheço que sua síntese “ideológica” é perfeita e elegante, com linguagem simples e direta, e não é sempre que se fala tão abertamente do que se deseja – sobretudo em poesia. Talvez essa seja uma das marcas distintivas entre os poemas menores e maiores. Os maiores não são meros subterfúgios, sacrificando alguma coisa em prol de uma mentira agradável. Elizabeth Barrett pode querer algo que em si é uma mentira, mas seu desejo é bastante real. Ela quer ser identificada com o próprio amor e com isso ser amada para sempre. Seu poema traz a radicalização e a explicitação necessárias para um confronto legítimo. Apesar dela mesma, ele vale quase como uma auto-denúncia. Take away the fool? Take away the lady (Twelfth night, Ato I, Cena 5).
Theme by easternwest and Stephen Reinhardt

1 comment:

  1. SONETO XIV
    Tradução: Manuel Bandeira

    Ama-me por amor do amor somente
    Não digas: «Amo-a pelo seu olhar,
    O seu sorriso, o modo de falar
    Honesto e brando. Amo-a porque se sente

    Minh'alma em comunhão constantemente
    Com a sua.» Porque pode mudar
    Isso tudo, em si mesmo, ao perpassar
    Do tempo, ou para ti unicamente.

    Nem me ames pelo pranto que a bondade
    De tuas mãos enxuga, pois se em mim
    Secar, por teu conforto, esta vontade

    De chorar, teu amor pode ter fim!
    Ama-me por amor do amor, e assim
    Me hás de querer por toda a eternidade.

    ORIGINAL:

    SONNET XIV

    If thou must love me, let it be for nought
    Except for love's sake only. Do not say
    «I love her for her smile... her look... her way
    Of speaking gently,... for a trick of thought

    That falls in well with mine, and certes brought
    A sense of pleasant ease on such a day» —
    For these things in themselves, Belovèd, may
    Be changed, or change for thee, — and love, so [wrought,

    May be unwrought so. Neither love me for
    Thine own dear pity's wiping my cheeks dry, —
    A creature might forget to weep, who bore

    Thy comfort long, and lose thy love thereby!
    But love me for love's sake, that evermore
    Thou may'st love on, through love's eternity.

    ReplyDelete

Por favor, deixe seu comentário! Terei o máximo prazer de lê-lo e lhe responder. Cordialmente,
Gil Ferreira

Máximas

"Audaces fortuna juvat" (Virgilio).

"Um povo que desconhece seu passado está condenado a repeti-lo" (Georges Santayana).

"A história só se repete uma vez, como farsa" (Karl Marx).

"Historia Magistra Vitae" (Caius Tulius Cicero).

"Sempre tive horror ao testemunho; que serei eu se não participar?" (Antoine de Saint-Éxupéry)